Entrevistas,  Inspiração

Mais de 5 anos viajando pelo mundo

Antes de sair para viajar o mundo em 2017 eu fiquei muito tempo acompanhando os viajantes que já estavam na estrada para me inspirar e também aprender um pouco mais. O Danniel Oliveira, que hoje já está na estrada há mais de 5 anos viajando pelo mundo, foi uma dessas figuras que contribuíram de alguma forma na viagem.

Nos conhecemos em 2011 durante o intercâmbio em Dublin e desde lá sempre mantivemos contato. Discutindo sobre as viagens e trocando ideia sobre os projetos,

Durante uma das minhas viagem pelo Brasil, aproveitei que estava perto de Natal, cidade onde ele mora, e passei alguns dias por lá. Gravamos um bate papo super interessante onde ele conta como as viagens foram transformadoras e como essa paixão acabou se tornando um estilo de vida.

Se você tem curiosidade de saber como ele se mantém todo esse tempo e como o lado empreendedor aflora no viajante, acompanha essa entrevista que eu tenho certeza que você vai gostar.

Você pode assistir o vídeo abaixo ou ler a transcrição da conversa por aqui nesse post.

Danniel, você pode resumir um pouco da sua viagem? Quantos países passou, quanto tempo você está na estrada? Aos poucos vamos detalhando um pouco mais.

Estamos em janeiro, fevereiro de 2020 e até agora já fui para 68 países conhecidos pela ONU. Tiveram três ou quatro que não são reconhecidos ainda, basicamente isso. Eu passei por alguns na América do Sul, Europa, África e Ásia.

Quanto tempo de viagem ao todo? Do ponto que você saiu, pediu demissão e foi viajar?

Eu fiz 5 anos de intercâmbio em Dublin.

Você saiu do Brasil 5 anos atrás?

Não, saí do Brasil 10 anos atrás. Nesse período que eu fiquei na Irlanda, de 5 anos, eu conheci na época 30 e poucos países, acho que foram 36.

Só naquelas viagens curtas, de final de semana, uma semana?

É, vai alí passa uns dias. Se tiver mais tempo passa uma semana e pouco. Então foram 30 e poucos países.

Na Europa? África também?

Eu tinha ido a primeira vez para Índia e Nepal, em 2012, e depois Marrocos.

A galera de Dublin vai muito pra lá. Na época que eu morava na Irlanda também fui para o Marrocos.

Preços muito baratos de voo e você consegue montar uma viagem com um preço muito bom !

Acabei também morando um ano na Irlanda e fiz essas viagens pequenas, mas não cheguei a 33 países.

É muito tempo… Eu acho até que, se eu não tivesse perdido tanto o foco com excessos de festa e gente, com certeza eu teria viajado muito mais.

Mas foi uma experiência diferente na Irlanda…

Pois é, boas amizades foram feitas.

Por onde você começou a viajar? Você queria descobrir países novos?

Cara, interessante essa pergunta, André, porque eu achava que viagem era só você viajar. Eu tava em Dublin e surgiu a festa do brazilian day em Londres. Aí o dono da empresa que eu trabalhava na época foi convidado e disse que não ia. Eu tava lá e disse: – “Posso ir?” Ele disse: “Pode!”.

Eu lembro que comprei um voo de Dublin pra Londres e paguei 20 euros ida e volta e fui sozinho. Aí eu me perdi, fui para o evento e conheci muita gente, aí fiquei sem lugar pra dormir porque não tinha nada reservado, foi aquela confusão. Eu desci em uma estação porque achava que o mapa tava na minha cabeça, que eu tinha que ir pra direita e fui pra esquerda, andei tudo bagunçado. Enfim.

E depois eu foquei no Reino Unido, quero conhecer todo o reino unido. Aí fui pra Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte. Sempre gostei desses desafios: Reino Unido, Balcãs, Bálticos e então fui fazendo pouco a pouco.

Mas voltando a falar sobre a questão de entrar na vida viajante, depois que você vai pra um local, vai pra outro, eu comecei a ver o qual tipo de destino que me atraía. Depois que eu fui pra Londres, Madrid, Paris… é legal. Eu praticamente cresci ouvindo o nome desses lugares, mas estar lá e ver não me trazia aquela emoção da viagem, ter uma conexão com o local. Aí eu comecei a focar em países não tão comuns.

Qual foi o país mais diferente que sua mãe ficou com medo?

Antes de falar e responder sobre a minha mãe, tem só um parênteses. Eu tava planejando uma viagem pelos Balcãs na Europa, pra ir pra Croácia, Eslovênia, Bósnia e Montenegro. Na época eu fiz esses 4 países só, que são 9 ou 10 no total.

Aí no planejamento um amigo chegou pra mim em Dublin e disse sobre a Bósnia e Sarajevo, que parece uma peneira, totalmente destruída, marca de bala e tal. E eu, caraca, lugar trágico, mas curioso de conhecer. Eu tava muito curioso de chegar na Bósnia pra ver tudo aquilo de perto.

Ele disse: – Já que você parece gostar desse turismo tão trágico, você deveria pesquisar Chernobil.

– Chernobil?

– Sim, Prepiata, onde houve a explosão do reator em 86.

Aí eu comecei a pesquisar, conversando com eles alí eu já reservei meu voo pra alguns meses depois que eu falei, eu quero ver isso!

Quando eu comentei com a minha família “- Eu to indo pra Chernobil”. Aí todo mundo: “- Pra onde? Você é louco?”. Aí eu comecei a explicar que na época tinha que tomar um remédio para que não abrisse os poros da tireóide, alguma coisa assim, pra evitar o contato da radiação, então minha mão ficou bastante preocupada.

Eu imagino, cara. E como que foi a experiência em Chernobil?

Volto a falar, foi trágico, uma cidade abandonada. As pessoas tiveram que deixar tudo. Você entra lá, eu saí do grupo e entrei em uma casa e você ve as coisas tudo lá, dos ambientes e tal.

Pessoas morreram, mas foi curioso pra mim estar lá. Depois que eu lí e assisti vídeos, documentários, você tem a sua própria percepção. Isso que eu achei interessante.

Isso que é viajar, você vê na TV, alguém te fala, mas nada melhor do que ver com seus próprios olhos e ter suas próprias percepções sobre o lugar.

E aí, você começou a fazer viagens diferentes?

Exato. Comecei a focar em países não tão comuns, ou então você ta em um país mais comum e você tenta fazer algo diferente.

Eu finalizei os Balcãs e aí comecei a planejar o Transiberiano, que é para atravessar a Rússia de trem, mas eu inclui a China e a Mongólia, então acabei fazendo as duas rotas. Eu atravessei a China, Mongólia e quando eu cheguei na Sibéria, ao invés de ir pro lado de Moscou, eu fui para o lado de Vladivostok.

Ou seja, nesse trajeto eu acabei completado as duas rotas: Transmongoliano e Transiberiano. Foram 15 dias de trem em um período de 5 meses. Então eu consegui fazer uma viagem bem barata. Para vocês terem um noção: 15 dias dentro de trem eu gastei U$330 de passagem.

Então na verdade o Transiberiano/Transmongoliano é a rota e aos poucos você vai comprando as passagens?

Nós brasileiros não precisamos de visto para Rússia. Se um americano for tentar fazer o Transiberiano ele tem que comprar tudo antecipado. Mostrar os hotéis, mostrar as passagens. Mostrar tudo. Nós brasileiros só temos que prestar atenção no dia que você quer sair. Porque por exemplo, eu coloquei que iria sair com 90 dias, ainda errei colocando 88 dias. e tive um problema na saída. Mas é muito tranquilo.

Muita gente não tem informação do Transiberiano e compre o ticket antes, que é muito mais caro. Você vai pagar alguns mil dólares.

Um exemplo, você ta em São Paulo e quer ir para o Rio. Você consegue chegar hoje comprar um ônibus, comprar qualquer coisa, porque todo dia tem muito transporte. A mesma coisa lá na Rússia e qualquer lugar do mundo.

Eu chegava em algum local, passava alguns dias na cidade. “- Curti?” “Curti, vou ficar mais!”. Caso contrário, beleza, to indo embora amanhã, aí comprava o ticket hoje e saía no outro dia.

Tem primeira, segunda e terceira classe. Eu fui praticamente em todos os trechos de terceira classe, que é o mais barato, mas era super engraçado. Conhecendo pessoas locais, trazendo comida e vodka o tempo todo.

E dava pra interagir com a galera? Alguém falava inglês?

Sem nenhuma comunicação, pouquíssimas pessoas falavam inglês mas era engraçado.

Eu viajei uma vez de trem na Polônia se não me engano e eles não falavam inglês mas o cara queria conversar comigo e a gente ficava alí tentando se comunicar. Mas foi uma experiência incrível.

Você vê que as pessoas se esforçam. E traz amigo, traz uma comida, traz outro negócio. E você fica alí naquelas tentando entender. É legal.

Qual foi o melhor trecho ou alguma coisa que te marcou bastante nessa viagem pelo Transiberiano? Porque deve ser muito animal cruzar a Rússia, conhecer várias cidades pequenas.

Só dentro da Rússia, Moscou – Vladvostok, são 9.288km. Tanto é que em Vladvostok tem um marco com essa marcação, a distância. E para quem já jogou War, é uma cidade que ta lá no final do mundo, no jogo, e eu passei quase 2 meses lá. Não tinha tantos brasileiros na época e poucos turistas. As pessoas ainda não tinham esse contato com tanta gente de fora, porque ta muito longe de tudo. Fui muito bem recebido e acabei ficando quase 2 meses por lá, tive aulas de russo, fiz bastante caminhada, me ensinaram a fazer snowboard. Foi uma experiência bem intensa.

Você era “o brasileiro” na cidade?

Pois é, todo mundo loiro e eu lá moreno.

De onde surgiu a vontade de aprender russo? Bom, você tava lá há 5 meses lá…

Vivendo com as pessoas eu comecei a entender melhor sobre o país, sobre a União Soviética, sobre a história, a importância da Russia em toda esse último século mas esse último foi muito forte em relação a todas as guerras que aconteceram. Então, eu tava em uma estação e não entendi onde eu tinha que ir, foi aí que eu pensei: “- Por que não aprender?”. Fui aprender primeiro o alfabeto, os números, fala uma coisa outra, frases já prontas. Aí depois entender as respostas. Eu não falo o idioma mas eu consigo entender um pouco. Leio mas não sei o que significa, por exemplo. Então ta em um processo bem básico.

Foram 5 meses que você saiu da Irlanda? Ou já tinha saído?

Eu já tinha saído. Quando eu finalizei o Transiberiano eu peguei outro trem até a Chechênia, aí fui pra Grosni, que tem um local bem diferente pra quem curte história que é Beslan, uma escola que houve um atentado em 2004, eles prenderam mais de 1mil pessoas, mataram 400 e tantas pessoas, inclusive crianças. Foi bem trágico mas eu queria ver o local. Essa escola continua do mesmo jeito, inclusive no meu canal do youtube tem esse vídeo de Beslan.

Aí desci, fui pra Geórgia, Armênia, Azerbaijão, fui pro Curdistão na Turquia e aí entrei no Iraque. Outro que minha mãe disse: “Ai meu Deus, o que você vai fazer lá?”

Iraque é complicado. Eu lembro quando você foi e eu falei: “- Caraca, o cara ta dentro do Iraque.”. Tem que ter muito peito pra conseguir.

Fiquei 4 meses. Qualquer pessoa consegue ficar 30 dias como turista no Norte do país que é chamado de Curdistão, então fiquei 30 dias e no final eu consegui um trabalho voluntário pela ONU e aí eu passei mais 3 meses, meu contrato era de 6 meses, mas eu totalizei 4 meses. um como turista e 3 como voluntário.

Como foi esse contato, esse networking pra conseguir ficar lá.

Cara, conheci pessoas muito influentes lá. Já havia tentado fazer trabalho voluntário pela ONU e acabou que essa pessoa me colocou em contato com a ONG que faz os trabalhos pra ONU e aí começamos a fazer esse trabalho, que são os tipos de trabalho underneath. Eu ajudava no WFP (World Food Program), que fazia distribuição de alimentos para mais de 88 mil famílias e pela UNICEF a gente criava programas para as crianças dentro dos campos de refugiados. Na época o Curdistão tinha mais de 4milhões de refugiados da Síria, Irã e do próprio Sul do Iraque.

Acabei fazendo trabalho voluntário em uma escola de inglês, que eu ia quase todos os dias, e em um hospital cuidando de crianças, 36 crianças com câncer e fazia esse trabalho lá.

Experiência única, bem intensa. Conheci muita gente e tenho certeza que um dia você vai chegar lá e eu vou te apresentar pra muitos amigos, você vai ver.

Quero e vou precisar dessas dicas sim. Depois do Iraque, dessa experiência intensa com um impacto diferente, pra onde você foi?

Depois de fazer todo esse roteiro, a minha ideia era fazer a Rota da Seda. Eu ia fazer Irã, Turcomenistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão e Índia. Eu queria fazer o loop e voltar pra Índia, que eu já visitado alguns anos antes.

Só que aí eu tava um pouco cansado daquele mundo árabe, apesar da experiência ter sido incrível, as diferenças são muito gritantes. Eu tava lá no período do Ramadã, que você não pode comer e beber durante o dia. Óbvio que eu não seguia isso mas, por exemplo, não poderia andar com garrafa de água na rua. Só pra você ter noção, eu peguei 56 graus Celsius positivos, eu tava lá na época do verão, e mesmo assim eu não podia beber água na frente das pessoas, óbvio.

Foi muito impactante aquilo e toda aquela experiência e tal, então eu queria voltar pra um país que eu me sentia confortável. Aí eu voltei tudo. Fui Turquia, Geórgia e voltei pra Rússia. Passei mais 3 meses na Rússia e aí conhecia a Criméia, que foi aquela parte ocupada pela Russia em 2014. Voltei de novo para main land, aquela parte principal da Rússia. Atravessei um parte da Ucrânia e fui para a parte segura, atravesse a Ucrânia de ponta a ponta, fui para Polônia.

Fui o primeiro brasileiro a entrar na Bielorussia sem visto, em 2016. Atravessei por terra, passei algumas semanas, fui convidado pela embaixada do Brasil pra um bate papo e contar como foi a experiência de entrar sem visto, foi bem legal.

Voltei pra Polônia, fui para Varsóvia, fui pra Lituânia, que aí eu matei os Bálticos, que eu já tinha ido para Letônia e Estônia, só faltava Lituânia.

Aí voltei pro Brasil na época, foi quando eu finalizei minha primeira viagem longa.

Aquela região da Ucrânia que você atravessou, não rolou nenhum tipo de problema?

Zero. Check points do exército que chegavam e paravam. Na época minha barba tava um pouco maior, cabelo também. Então eles paravam, pediam para abrir a minha mochila, mas tudo tranquilo. Quando mostrava o passaporte brasileiro, eles queriam só checar se era eu mesmo, se meu passaporte era verdadeiro. Viam vistos e tudo.

Passaporte brasileiro, para quem não sabe, é um dos melhores que tem por aí. A gente pode entrar em vários países sem visto, então é um dos passaportes visados, eu diria.

E um ponto positivo, que a gente não consegue mensurar isso quando estamos em casa planejando, mas sente isso na prática. Eu não sei se você também tem essa percepção.

Uma coisa é, por exemplo, os EUA é um país que ta sempre em conflito com alguém, isso não sou eu que to inventando, você pode analisar que é fato. Ta em constante guerra, exército ta alí, marinha ta alí. Brasil, onde que nós estamos em guerra?

O Brasil é super neutro. A galera vê, dá um sorriso.

Brasil é o que? Carnaval, futebol, mulher bonita. Então assim, a associação que as pessoas tem do Brasil é de coisa boa.

Isso não é o que a gente ta falando. É o que eles falam da gente.

O pessoal vem e fala “Ronaldinho”, “Ronaldo”, o pessoal mais velho “Roberto Carlos”.

E muito pelo contrário, a gente tenta desmistificar isso. Tem outro lado também.

Futebol? Eu não gosto de futebol. Samba? Cara, eu não danço. Aí o cara fala: “- Ah, você não é brasileiro”. Peraí, deixa eu te mostrar um outro lado do Brasil e a gente senta e mostra outro lugares, outras cidades. Tenta trazer, um outro Brasil para esse povo.

Eu também tento mostrar outras coisas que temos no Brasil além de mulher e futebol, mas eu tenho a mesma percepção.

Mas é muito legal essa percepção da galera em qualquer lugar do mundo. Tirando a Europa que a gente já ta muito batido, a gente ta sempre lá, outros países, até do mundo árabe a gente ta bem.

Sabe a minha percepção sobre isso? As cidades grandes da Europa tipo Londres, Madrid, Lisboa, até mesmo Dublin, quanto mais pessoas você tiver de um povo, há uma maior probabilidade dessas pessoas fazerem algo de errado. Ficar ilegal ou ter briga.

Então, quando eu vou para países que não tem muito brasileiro, é só maravilhas. Mas quando chega em países em cidades que o brasileiro já fez merda, aí acaba tendo uma recepção porque as pessoas acabam tendo uma percepção de ter tido uma experiência negativa e acaba tendo aquela imagem do Brasil.

Infelizmente as vezes acontece. No geral a gente é muito bem recebido nos países afora e também é difícil o brasileiro precisar de visto para entrar nesses países.

Você voltou para o Brasil e sua mãe já estava ficando mais tranquila.

Ficou mais tranquilo e até falou “- Vai procurar um trabalho e tal.”. Mas aí eu comecei a viajar pelo Brasil, fui até o Paraná depois voltei, fui até o Maranhão, voltei pra casa, sou de Brasília, mas meus pais moram em Natal, onde nós estamos. E aí eu iniciei os projetos das expedições, de levar pessoas para viajar comigo, juntos com passeios locais nos países. E voltei para estrada no início de 2019.

Isso que o Danniel ta fazendo é bem legal. Ele monta as expedições, porque as vezes as pessoas querem viajar, mas não tem companhia, não sabe como montar um roteiro e ele já traz um roteiro prontinho com tudo tudo que você já conheceu nesses países. Marrocos, Índia, Nepal.

As vezes a pessoa sabe falar inglês e tem aquela trava, tem aquela insegurança que é normal. O que eu faço é ir antes no país, viajo, exploro, conheço diferentes empresas de turismo. Faço lá, vivo a experiência e, se tiver algum que eu gosto, chamo o cara no particular e explico o meu projeto.

Então eu vivo a experiência com a empresas, vejo a que me tratou melhor o cliente e chamo o cara para ser meu parceiro. E aí eu monto o roteiro que eu acho que vai ser legal para que o brasileiro possa vê. Eu falo brasileiro, mas para todas as pessoas que falam português podem fazer parte das viagens.

Pô, bem legal. Eu quero muito fazer parte da viagem para o campo base do Everest.

Rapaz, a gente já poderia até já deixar isso aí, em 2021. Bora?

Eu topo! Agora a promessa ta gravada em vídeo.

Vou te dar as condições quando a gente desligar aqui.

Fechou!

E agora, você ta só viajando para esses países que você tem expedição?

Em 2019 eu fiz expedição para Índia, onde 8 mulheres viajaram comigo. Depois fiz campo base do Everest. Depois outro grupo no Nepal. Aí passei alguns meses sem grupo. Eu queria desbravar coisas novas pra trazer como possibilidade de destino para os meus grupos.

Aí eu visitei o Cazaquistão, Uzbequistão e Quirguistão, voei para Europa, aí fui direto para Ucrânia, que é um país que eu gosto bastante. Visitei Moldávia, Transnístria, que é um país que não é país dentro da Moldávia. É reconhecido somente pela Rússia e por mais alguns outros países. Aí fui pra Romênia, voltei pra Ucrânia, fui pra Suécia, Dinamarca, França e Marrocos.

Tive um outro grupo de expedição no Marrocos em Outubro de 2019 e aí fui conhecer Sahara Ocidental, Mauritânia, Senegal, Cabo Verde e voltei para o Brasil pra ficar algumas semanas, que é o momento que estamos aqui agora. Dentro de 3 semanas eu já volto para Índia com outro grupo.

Essa viagem da Mauritânia foi sensacional, que eu acompanhei vidrado no instagram, a travessia em cima do maio trem do mundo.

É o mais trem mais longo e mais pesado. Mais de 200 vagões de trem.

Ele enchem o trem de ferro, no meio do deserto do Sahara, há 460km do porto. Então eu passei 15h em cima do trem, com ferro e tal, uma jornada incrível. Eu comecei as 19h30 da noite e terminei as 10h30 da manhã do outro dia. Uma experiência bem legal, foi sensacional.

Essa também é uma das aventuras que eu gostaria de fazer.

Cara, isso é legal de viajante. Porque eu to lá vivendo a minha jornada, você ta lá vivendo a sua jornada e quando a gente tem a chance de encontrar um com o outro “Pô, cara, você fez isso, eu quero fazer também”. Isso é bem legal.

O Danniel ainda não desbravou a Ásia, no Sudeste Asiático, mas quando ele for eu tenho várias dicas pra dar pra ele também.

Desses países que você já conheceu, qual foi o que você mais se curtiu?

Normalmente quando eu respondo estrangeiros não entendem o porque e as países do país: “- Você ta de brincadeira e é porque eu to aqui.”. Mas meu país favorito de todos é a Rússia. Já passei mais de 7 meses explorando a Rússia, foram quase 40 cidades por todo país. Então tenho bastante contato. Tenho pessoas que eu gosto muito e são amigos que eu falo com frequência.

Então é o país que eu tenho uma ligação muito forte, gosto bastante. A Rússia é meu país favorito.

A mulherada também é bonita?

Opa, ajuda também. Porque você passa o dia visitando parte cultural, parte histórica, culinária, gastronomia e tal. A noite você sai e conhece mulheres extremamente simpáticas, inteligentes, que eu acho um fator muito importante você conseguir conversar e além de tudo elas são muito bonitas, tipo modelos. Rapaz, que ligação boa.

Você ta há 5 anos viajando pelo mundo, como que é não ter a rotina? Você sente falta em algum momento? Eu sei que você ficou alguns meses em alguns locais, mas considerando os padrões de uma vida “normal” para o brasileiro, é diferente. A rotina é meio que não ter rotina.

Exato. Antes de falar da rotina, tem uma coisa que muita gente chega pra mim e fala: “- Nossa, você viaja a tanto tempo, você deve ser desapegado.”

Eu falo, muito pelo contrário. Eu sou muito apegado ao estilo de vida que eu to construindo. Então existe um apego e dentro de estilo de vida que a gente vai criando e acaba criando a nossa própria rotina. Por exemplo, toda hora que eu to com o meu laptop eu to trabalhando. Eu to trabalhando em algo, eu to produzindo algo. Se eu to na rua e vejo algo diferente, se eu compartilho um storie com alguém que ta me seguindo, já faz parte do meu trabalho. Eu to passando algum tipo de conhecimento, informação.

Óbvio que quando estamos fazendo algo na viagem não consegue dedicar tanto tempo porque você quer conhecer pessoas e tal, mas dentro de todas essas variáveis eu tento criar uma rotina de trabalho para que tudo esteja fora do prazo e bem feito. Até porque eu preciso que entre dinheiro para que eu consiga continuar.

Pois é, o dinheiro não é infinito. A gente guardou um pouco no começo, mas também não é infinito e a gente precisa trabalhar de alguma forma pra continuar a viajar, continuar nesse estilo de vida.

Mas em relação a ficar sozinho, você sente alguma falta?

Nada, zero. Já me acostumei e inclusive vou te falar onde tudo mudou. Eu falei que fiquei quase 2 meses em Vladvostok, imagina. Um grupo incrível de pessoas, tive uma namoradinha russa, aquela experiência maravilhosa e de lá eu pequei um trem até uma cidade chamada Irkutsk, onde tem o lago mais profundo e um dos maiores do mundo que é o Baikal.

De Vladvostok para Irkutsk, o trem que eu peguei foram 73 horas sem sair do trem. As vezes fazia uma paradinha, descia 1 minuto e voltava. Então foram 3 dias dentro do trem. Eu levei livro, levei vídeo, filme, mas chegou uma hora que eu não aguentava mais fazer nada e ali foi um momento que eu até lembrei do Sidarta Gautama, o primeiro Buda, de iluminação comigo mesmo. De encontrar o meu equilíbrio de estar só, aí eu comecei a ficar comigo e pensar mais na minha vida.

Depois disso foi meio que uma chavinha mesmo. Então pra mim é muito tranquilo, posso ficar o tempo que for, tranquilo e de boa. Não me afeta.

É na estrada que você aprende a lidar com esse período solitário. Na verdade é a melhor companhia, você tem que aprender a lidar com você mesmo pra sair uma viagem longa.

Pra sair de casa você teve que passar por uma serie de desafios em casa, no trabalho, amigos. Como foi pra você?

O principal foi quando eu entendi que eu não tava feliz onde eu estava, que eu precisava sair daquela rotina e que eu queria algo novo, que eu não sabia o que era. Depois que você internaliza isso, fica mais fácil pra você vencer qualquer adversidade porque as pessoas vão chegar e, certo ou errado, vivendo a vida que você ta, alguém vai chegar e vai te criticar de alguma forma.

Então eu fui criando essa barreira, me fortificando. Eu tava tão certo do que eu queria que pra mim foi muito natural. Depois de um determinado tempo entendendo o que eu queria, fiquei muito mais forte e fui enfrentando essas objeções, que elas vão aparecer.

Vem de qualquer lado, das pessoas no trabalho, esses questionamentos sobre a carreira. Mas isso vai depender do que você quer ou, o que a gente falou antes, saber o que você realmente não quer pra seguir outro caminho e buscar alternativas.

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André Silva

André, 33 anos, cidadão do mundo. Apaixonado pelo novo. Sempre arruma tempo pra viajar e acredita que a coisa mais importante da vida é acreditar nos sonhos. Clique no nome para conhecer melhor o viajante!

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